Lixão

Em 1988, Ariadne começou a série "Os lixos" fora do atelier, ela procurava motivos para desenhar. Buscando paisagens, acabou indo de encontro ao lugar conhecido como "Lixão". 

"Ao ver, tive um aperto no coração, em plena área de alagamento do Rio dos Sinos, havia um depósito de lixo e aterro sanitário. Na mesma hora, veio-me a imagem do rio cheio e aquela área sendo lavada, com depósito de couros e aquilo tudo...", lembra. 

Os primeiros trabalhos foram com aerógrafo e tinta acrílica, feitos em partes, como os trípticos. Com os primeiros trabalhos, obteve menção honrosa no Salão de Novo Hamburgo - 60 Anos da Emancipação.

 Os "Lixos'' mostraram os bastidores da cidade, de 1988 a 1989. Plasticamente, são provocadores, até por causarem uma sensação conflitante entre a estranheza e a beleza. 

"Se o modelo me emociona esteticamente e plasticamente, eu procuro passar aquilo para o quadro. A impressão que eu tenho é a de que eu sou a responsável por mostrar aquilo para alguém." 

A repetição e a serialidade industrial estão nas pilhas de latas de cola ou nas embalagens. O irônico amontoado de produtos de limpeza, em meio ao Lixão, repercutiu na premiação do Salão de Canoas. Ela nunca conseguiu mostrar a série inteira, expondo apenas uma parte durante o projeto Sinos Te Quero Vivo, quando os seus trabalhos eram expostos junto às sessões do audiovisual de João Ricardo da Silva. 

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